terça-feira, 5 de outubro de 2010

QUe futuro resta para nós? Pobres & pobres


No mundo atual, por mais evoluídos tecnologicamente, não tem sido suportável sobreviver. Desde de cedo somos jogados numa escola municipal e depois pública, passando anos em cima de uma carteira suja e rabiscada, aprendendo o quê?


Aprendemos porcamente a ler e escrever em meio a uma sala lotada, onde todos gritam, incluindo os professores que cansados e desmotivados aplicam de uma vez o abc para que o cidadão pule de um ano a outro, da forma mais rápida que existir.

Aprendemos matemática, sem conseguirmos aplica - lá, português sem conseguirmos trocar “a gente” por “nós”. Aprendemos coisas que entram por um ouvido e saem por outro, desde ciência à biologia, química e física, artes, e o que mais mesmo?

Os jovens que sonham com um estudo melhor, por não entenderem a diferença entre um pobre e um rico, perdem o foco na baderna do intervalo, nos becos das vilas, na falta de alguém para investir em você. Perdemos nossos sonhos quando dedicados pretendemos um vestibular, e em seguida descobrimos que essa mesma vaga pretendida por você, jovem pobre, de escola pública, será disputada com alguém que durante sua formação teve tudo o que havia de melhor, a começar pela educação.

Pois em um país que fingidamente se desenvolve, a educação é limitada pela quantidade do seu dinheiro, é mascarada a diferença com cotas, com bolsas. Enquanto a maior parte da população vive no silêncio e na ignorância, sem saber dos seus direitos.

Agora, para você que após anos na desigualdade ascende a uma oportunidade numa universidade federal, resta apenas mais uma desilusão, a de entrar em contato com professores corruptos, com professores que recebem muito e lecionam nada. Com professores apadrinhados por políticos, com funcionários públicos corruptos que não se importam com os seus problemas, mesmo destinados a cargos que competem resolver problemas acadêmicos.

Com isso, mais uma vez, você cidadão brasileiro, que se desenvolveu na injustiça da suposta justiça social, vê que sem dinheiro não é nada, absolutamente nada. Vê que sem dinheiro ninguém o defenderá, ninguém lhe dará espaço ou investirá nos seus sonhos... e mesmo assim, continuamos caminhando na sombra, mesmo cansados e desiludidos. Mas ninguém nos ensinou a lutar, certo? Ninguém nos disse que união é força, que voz é poder. Ninguém.

Mas as minhas esperanças não se encerram.

Não somos animais e um dia, é certo, haverá uma outra grande revolução.

domingo, 29 de agosto de 2010

O sentido da burocracia


Eu enquanto mulher em uma sociedade extremamente e mascaradamente machista, sou sempre prejudicada em relação à falta de liberdade da própria escolha, isto porque a lei mudou, mas o que não mudou foi a cabeça das pessoas.
Eu, enquanto cidadã de baixa renda, sou prejudicada por ter de pagar impostos por estar respirando e em troca disto ao invés de melhorias na vida de cidadãos como eu, somos obrigados a trabalhar mais para poder pagar impostos que sustentam a mesa de políticos salafrários e não falo apenas dos políticos dos senados, falo de professores que recebem apadrinhamento de políticos, como se colégios e universidades federais fossem o próprio senado.
Como cidadã de baixa renda, toda minha vida e minha educação ocorreram no sistema de ensino público, no porco e mal feito sistema de educação, que ao invés de formar aliena ainda mais, para que assim existam os trabalhadores de carga que sustentam toda a camada das relações de sobrevivência.
Entretanto, diferentemente da maioria dos infelizes de baixa renda que não sobreviveram ao ensino médio, decidi seguir com os estudos. A opção foi a mais plausivel para minha condição monetária: uma universidade estadual.
Enquanto acadêmica de baixa renda, fui submetida a um processo de confirmação de estado de miséria para conseguir uma bolsa de 300$, que deveria manter o pobre acadêmico na universidade. Porém para que o dinheiro pingue na conta todo o mês, é preciso que se desenvolva um subprojeto que deveria estar sob o cuidado de um orientador. Mas como brasileira, de baixa renda e mulher o ocorrido não foi exatamente esse. Pois a negligência do “suposto” orientador me fez pesquisar incansavelmente, sem qualquer tipo de orientação acadêmica, enquanto os professores de instituições federais recebem, além do seu salário, uma taxa de 55% para poder justamente orientar os acadêmicos, neste caso, com 20 horas semanais, que incluem reuniões para discussões entre acadêmico e orientador.
Ao passar de dez meses sem qualquer tipo de ajuda para minha pesquisa, sem qualquer tipo de encontro na universidade, lutando com o quase inexistente conhecimento do ensino médio, e tendo como respostas para os meus textos, infelizmente via email, que eu não possuía um objetivo, nem um ponto, mudei minha pesquisa para um tema já desenvolvido pelo tal orientador, que o aceitou de bom grado. Mas insatisfeita com o resultado e preocupada com apresentações que faria em dois congressos, fui atrás de auxílio. E ao ir atrás de auxílio expus a verdade, mas a verdade ofendeu o ego de muitos sábios, a ponto de perder o orientador que me “orientava”.
A conclusão é que, com apenas dois meses para o fim da bolsa e conseqüentemente do subprojeto, me encontro sem qualquer tipo de orientação, pois os professores desta mesma universidade me deram as costas.
A mais de duas semanas, todos os dias percorro um mesmo trajeto dentro desta universidade, indo dos centros menores aos centros maiores, de apoio ao acadêmico, para tentar resolver a situação em que me encontro. Todavia, para animar um pouco mais essa luta para vencer a burocracia e manter os meus direitos, não apenas como acadêmica, mas como pessoa, intactos, me disseram: “ sinto muito lhe informar, mas a sua tentativa de buscar justiça é inútil, pois poucas vezes dentro de uma universidade federal, os funcionários públicos são punidos, visto que o sistema não funciona”.
E assim, sem ter para onde correr e sentindo o gosto amargo da impunidade, exponho de forma breve e tosca meus maus momentos dentro de uma universidade renomada chamada UEL.

Liberdade

 Sempre tive uma insegurança inata para a solidão, até descobrir que posso me divertir na própria solidão.
 Sempre tive um medo terrível de acabar sozinha.Mas quando sua maior preocupação é diversão, as pessoas é que se preocupam em não acabarem sozinhas.
 Experimentar não ser de ninguém foi a melhor experiência que pude tirar de mim mesma, e me divertir sem depender da boa vontade de um único amigo, ou um parceiro foi o melhor presente que poderia me dar.
 Acabei sozinha dentro da própria noite, dançando como uma criança que não se importa com a multidão, meu corpo era vento passageiro, dançando bêbado e contente na vaga e temida solidão. 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dominação

Vejo os lábios,

Mas não escuto a voz.

Olho os olhos,

Mas não há o que indique

Que estes olhos são capazes de perceber,

Existe uma pequena fagulha

De criação,

Entretanto, existe o pouco do espaço

Que dominado pela modernidade

Pode oferecer a estes lábios

Ou a esses olhos

A inexistente possibilidade de romper

Com uma clave de sol.

domingo, 22 de agosto de 2010

O óbvio


 Quando acordei, não pensei na vida que me consumia, não pensei no sol que sorria, como em todas as manhãs e nem em todo o jogo de sentimentos que andam a andar dentro de mim.
 Quando acordei, desejei tomar um café e depois saborear o gosto da satisfação em me saciar, mas não olhei o céu e nem quis evocar qualquer tipo de sensação, se não a de tomar um café.
 Mas como o dia não se constitui apenas de cafés e “bons dias” tive que me sentar aqui e pensar no que fazer.
 Primeiro me dediquei a uma leitura sobre o amor, me senti contagiada de alegria. Senti força e vitalidade naquelas palavras que animaram minha própria vida e quis sair e correr, ver o sol e os pássaros... mas em seguida, a vida com suas peças veio sorrir para mim, com os dentes podres que esconde dos demais.
Veio para me lembrar do porquê me coloquei tão cedo a deitar, e tão cedo desejei sonhar. Me fez recordar da desmotivação, da óbvia desmotivação que destrói, que corrompe e que faz com que o sol e o céu sejam sempre esquecidos.

"Ode" ( a Cristina Guerra)

Ela não oscila nas palavras, sabe certo o que pretende tornar poesia. 
Dança na roda dos versos que cria, versos de amor e alegria.
E quase vejo seu corpo de vento, que saltita palavra por palavra, 
Espalhando com letras a vida, que tão esquia nos escapa.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Transmuta, que o tempo lhe consome

  
   "Amanhece o dia,
   E todas as noites que passaram
   Representam o tempo que perdeu.

   Escurece o céu do sonho,
   Que planejado não  se pode realizar
    Pois foi consumido
   Pelo ego do tempo
   Que descrente lhe roubou
    As horas que o levariam à ascensão."

Os planos matam a essência do sonho, pois o sonho só pode ser lindo enquanto não pertencer à realidade das "maravilhas" da EMPIRIA.

domingo, 8 de agosto de 2010

Uma matriz de sensações

O primeiro traço do pincel foi a impressão mais forte que pude ter, mas depois tudo o que foi pintado eram apenas borrões desbotados, já que a tinta que possuía foi me dada apenas para traçar a linha que iniciou a felicidade e quanto mais pintando, para tentar resgatar a cor, cada vez mais a cor se perdia, minhas impressões se perdiam, até que tudo se tornou o nada, o nada da sensação e restou apenas um vazio que consumiu o primeiro momento da cor, do amor, da felicidade.
Caí em profundo esquecimento de mim mesma, caí em profundo tédio de existir, pois nem a cor pode reter, ou manter viva, a centelha de fogo que inicia um momento de grande exaltação ao sentimento, ao sentido e busca da felicidade.
                O que veio depois, tanto na cor do traço, quanto na palidez do que sobrou da sensação consumida, foi uma escala do vivo ao transparente. Como se existisse um acumulo de querer, acarretando em uma explosão para em seguida restar apenas a calma.
                Entretanto, a calma me soa uma ausência de sentidos que gera um desconforto profundo, já que o meu querer, que sempre quer querer, está sem um rumo. Ficou perdido no momento de sua ascensão e queda. Explodiu em si mesmo e depois renasceu. Mas calma o incomoda, a calma lhe sugere o nada da sensação.
                Volta o querer sedento de sensação. Oferecem-me um pincel com tinta, o querer oferece um momento para ascensão. E com a mesma rapidez com a qual traço um risco, que vai do vivo ao pálido, o momento explode em sua totalidade e traz de volta o vazio, o pálido, claramente expresso pelo pincel que apenas no primeiro traço manifesta a sensação mais forte de um momento e em seguida expressa no pálido o nada, o vazio que consumiu a cor, o amor e a felicidade.

domingo, 1 de agosto de 2010

A utopia de uma universalidade inexistente

Senta no desespero das horas que não findam aquele texto sem fim, para defender idéias que nunca se propôs a questionar, sobre a certeza que a ação de um homem pode chegar pelo crivo da razão que o habita mas não o domina.
Escreve sobre o extremismo de uma concepção que julga conhecer o que um homem pode conceber em seu mundo, tão somente seu, mesquinho e subjetivo. Sem nunca se lembrar do que seria biológico.
Tenta universalizar, mas nem mesmo acredita e muito menos tem fé, naquela teoria já desbotada, mas a única em que se pode apegar, já que o mundo que não porduz a obriga também não produzir.
E é óbvio que caia numa desesperança sem fim, já que mantém sempre os olhos da mente naquilo que não é seu, naquilo que não é de ninguém.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

“Sua cidade, de viro e aço
Prende você
Seus documentos e as duplicatas
Cegam você!”
 Som Imaginário


 - Na natureza, então, tudo é perfeito!
Já que as causas sempre resultam em efeitos esperados, gerando uma necessidade entre elas.

- Uma bela perfeição!

- Se as coisas da natureza são perfeitas, o caos só existe no mundo em que o homem criou?

            Acabou sorrindo e levou a menina para a cama. Era hora de dormir.

terça-feira, 27 de julho de 2010




Quando me percebo
Sozinha
Em meio ao desespero, 
 Me pergunto:
O que completa
Esse homem cênico,
Em meio
A dureza da pedra,
Do cinza, que seca,
Suga,
 Roubando toda a essência
Natural?

 O que o leva
A mascarar
Mil faces de plenitude,
Felicidade?
 Pois gostaria também
De      degustar
Do mais puro contentamento,
 QUe me levariam
Aos prazeres dos bens supremos.
CAntaria uma linda canção
Que expressasse
Minha alegria em existir.

( - tom)   

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A ilusão é gratuita

- Juras que me ama,
E que por este mesmo motivo
Nunca duvidarás de mim?

- Sim, eu juro.

E assim é que caiu no mais profundo desencanto.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O fogo do tempo












O fogo,
Que moço,
Vem e queima
A pele
Daquele que um dia nasceu.

E se fosse meu ou seu,
O rosto
Que moço
Pôs-se a envelhecer?

Seriam feixes
Que queimam,
Secretamente,
Na lembrança
Da eterna criança
Que já morreu

Sempre dançando
No baile
De um tempo
Que não é mais seu.

E se o fogo
Viesse e queimasse
O corpo de um moço
Que pela poeira dos anos
Já envelheceu?

Seria o velho ou o moço
Que de mansinho se esconde
Em doces lembranças,
Amargas esperanças,
Fingindo não ser consigo,
Que a sonsa vitalidade o abandona,
Na esperança de viver
Apenas mais dez segundos
De ilusão?


quarta-feira, 14 de julho de 2010

A lei moral kantiana, sob o crivo das três peneiras de Schopenhauer

                 Schopenhaeur afirma que Kant, ao pressupor a existência de leis morais, fez uma suposição indevida, pois, como afirmado por Schopenhauer, Kant deveria ter investigado e demonstrado a validade da lei moral, ao invés de ter afirmado que esta valia para todo ser racional.*Mas minha leitura sobre a filosofia moral de Kant, me leva a defender que a crítica de Schopenhauer se apresenta como uma leitura equivocada da FMC.**

                 Kant, já no inicio do prefácio, FMC, não pressupõe a existência da lei moral, ele apenas tenta esclarecer que a lei moral é dada a todo o ser racional, através da razão, e que esta - a saber, a lei moral - não deve ser buscada em nenhum outro lugar, a não ser em uma pura filosofia.

                 Se Kant fez alguma pressuposição indevida, acredito que seja mais procedente afirmar que seu equívoco foi assumir a teoria de que só por sermos racionais é que podemos conceber a idéia da lei moral e não que Kant erra ao pressupor a existência de tais leis.

                 A moral "pressuposta indevidamente" por Kant, como defendido por Schopenhauer, está de acordo com o objetivo da FMC. Pois a FMC é a BUSCA e fixação do princípio supremo de moralidade, na esfera de princípios a priori. Onde mais Kant retiraria a moral, que deveria ser válida universalmente, já que, como afirmado por Kant, uma lei que tenha de valer moralmente, deve valer para todo ser racional? O que excluí da investigação de Kant recorrer ao conhecimento do homem, ou antropologia.

                 Uma vez que, no prefácio, Kant já afirma a necessidade da separação do empírico do racional, para a investigação da fonte de ensino a priori da razão, que nos possibilita conceber a idéia da lei moral, volto a afirmar que a crítica de Schopenhauer não procede com o objetivo da FMC, que se mantém em campo completamente a priori, o que excluí tudo o que for empírico.







* Infelizmente tenho dúvidas sobre a bibliografia, onde esta crítica se encontra.
** FMC - Fundamentação da Metafísica dos Costumes.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A RAZÃO PERSCRUTA E A FELICIDADE ORDENA



         Todo e qualquer ser racional, possuí um íntimo desejo, que é compartilhado pelos homens, apenas para com o querido EU: a busca da tão adorada felicidade. Não é por menos que tratados sobre isso foram desenvolvidos, não é por menos que apontam a felicidade como fim último de todas as coisas e investigam através das ações humanas, qual seria o motivo de tanto querer.


         Ela é tão presente no corriqueiro, no cotidiano, que parece até constituir morada dentro de nosso ser, ou se preferirem, dentro de nossa razão, pois é essa mesma razão que é forçada a investigar quais as possibilidades de uma ação que nos levaria a alcançar a tão almejada felicidade. A razão chega parecer apenas um brinquedo, em mãos pueris que desejam a todo custo sentir o prazer do ato ordenado pela “feliz felicidade que deseja ser saciada”.


         E diria mais, diria que Schopenhauer errou o alvo ao dizer que a Vontade é o que impulsiona o mundo, muito pelo contrário, a felicidade é o que faz com que o mundo gire, ao menos o nosso mundo; o meu primeiro motor, que me faz levantar todos os dias e buscar infinitamente ações que me levem a ser feliz ou colocá-las em um mural de pequenas felicidades que no fim, ao somarem-se, resultariam em uma grande felicidade.


         Essa afirmação deveria ser procedente se por um momento imaginássemos o homem desprovido não apenas dessa capacidade de buscar o que o faz feliz, mas da consciência que o faz desejar a felicidade, sem mesmo saber o que é a felicidade.


Se esse homem não tivesse forças para agarrar a felicidade com unhas e dentes, o que o teria levado a sonhar com a imensidão? Nada o faria querer voar como os pássaros se não existisse a idéia dentro dele da necessidade de felicidade! O que o tornaria feliz seria apenas alçar vôo, então sua razão deliberou e o resultado foi o avião, foram os foguetes, os carros, a tecnologia.


Mas neste ponto, me pergunto sobre o papel do egoísmo - que aqui será diferente de auto-conservação - diante do nosso estado de perseguidores da felicidade. Pois não seria ela a produzir esse egoísmo dentro de nós?


Pois só uma coisa pode vencer a razão, e essa é o egoísmo, como se a felicidade não jogasse limpo e nem medisse esforços para alcançar a sua supremacia. Então, perceba, como o homem é um mero fantoche, pois o que a felicidade desejar ou será saciado pela razão ou pelo egoísmo.


Esse egoísmo é expresso claramente nas mãos de facínoras, ladrões ou em nossas próprias ações quando em nosso íntimo, torcemos o nariz para algo que desejamos também, mas que apenas o cara do lado possui. É certo que em muitos casos, a razão mantém a sua consciência apontando que nem tudo pode ou deve ser saciado, mas em outros casos existe um descontrole, uma sede insaciável que retira o seu néctar, que há de beber, através da dor alheia.


Entretanto, é interessante perceber que o egoísmo cede completamente aos devaneios da felicidade, mas a razão ainda mantém o seu papel de prescrever e que muitas vezes acaba por ceder, mas não completamente, aos caprichos da felicidade.
Ela se manifesta diferentemente em cada um de nós, mas existe, em absoluto, dentro de todos nós, como condição básica para nos diferenciar de todos os outros animais.

sábado, 12 de junho de 2010

Abaixo do bem, acima do mal

Hoje entrei em contato com o mundo real, e foi uma relação causa/efeito tão próxima do meu cotidiano, que cheguei a sentir um mal físico assombrando minha carne, e muito mais, chegando até as entranhas de minha mente.

Creiam-me caros leitores, para quem tem como prioridade o uso da razão, que sempre deve imperar sobre os instintos mais animalescos, ao compreender toda violência atual, acaba crendo que o homem é mesmo um animal, ou, melhor explicitando, muito pior do que a própria fera, que tomada de puro instinto, cobre de sangue a ameaça que lhe cerca para conservar sua vida.

Esse homem que também luta pela conservação de sua vida, é o que mata por prazer, que mata por luxúria, por poder, que mata simplesmente para afirmar sua própria vontade. Eis que surgem duas diferenças, provindas de uma mesma fonte, entre o homem e o animal. Eis que se apresenta diante de nossos olhos o que condena o homem como pior do que o animal.

A primeira diferença está no fato desse homem ter a consciência de si e do outro. A segunda é dada pelo seguinte ponto: diferente do animal o homem mata por desejar, não apenas para sua conservação. Ele mata por puro querer, ele mata pela vontade que impulsiona seu querer!

Mas a pergunta que sempre me assombra é que ambos os pontos apresentados acima, que tornam esse homem mau, provém de uma única fonte: a razão. Não deveria ser a própria razão, que dá a possibilidade do homem ter consciência de si e do mundo que o cerca, o que conteria o instinto e a vontade que dominam o homem, esse instinto que leva ao homicídio, à delitos hediondos?

Não seria a priori a todos os seres racionais que matar o próximo, para beber do cálice do prazer, é rebaixar-se muito mais do que o próprio animal, que mesmo sem consciência total de si e do mundo, não mata por matar? Ou essa seria apenas uma regra social, que faz com que o homem esconda de si mesmo o monstro que é?

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ah, a amizade!

Primeiro ambas choraram e lamuriaram pela solidão
Depois o que se seguiu foi uma longa brincadeira
Como se ambas fossem feitas de felicidade pueril.

domingo, 14 de março de 2010

Luta pela igualdade

 Desde meados de 1790, há na história de diversos países, mulheres que buscavam, em movimentos, desmistificar seu papel inferior ao homem, concedidos a elas com o advento do sistema capitalista.
Muitas foram as lutas pela igualdade, direito à trabalho, participação de votos, além da luta pelo rompimento do pensamento que colocavam as mulheres como seres pertencentes aos homens.
França, Inglaterra, EUA, Brasil, tardiamente, foram agitados por mulheres  que estavam dispostas a provar para a sociedade conservadora sua capacidade de raciocínio, em pé de igualdade entre os sexos.
 Séculos de luta, onde o termo feminismo significava busca pela igualdade, e apenas no final do século XIX, é que as mulheres tiveram seus direitos conquistados.

" A ATITUDE DAS MULHERES FEMINISTAS DEVE ANTES SER ENCARADA COMO UM PROTESTO A SUBMISSÃO DA MULHER AO HOMEM IMPOSTA PELAS LEIS DE UMA SOCIEDADE DESIGUAL".

Feminismo, hoje?

Todas as mulheres, igualmente os homens, participantes dessa causa, em busca de igualdade dos sexos, deveriam se envergonhar pela forma que o termo FEMINISMO, como o passar dos anos, qualificou-se como pejorativo.
Hoje, quando se fala de feminismo, esse termo é relacionado à rebeldia. Porém, que rebeldia é essa que busca através de lutas, a igualdade entre os sexos? 
Há quem pense que a mulher moderna é livre, e sim, perante a lei, todas temos direitos iguais aos homens. Entretanto o que não mudou foi a cabeça das pessoas!
Que espécie de igualdade foi concedida a uma mulher, casada, mãe, que possui a mesma carga de trabalho de um homem, mas que recebe menos que ele? Que chega as seis da tarde e, cansada, ainda desempenha todos os papéis domésticos? Que lava, passa, cozinha, cuida dos filhos, do marido, da casa, das compras.
QUE IGUALDADE É ESSA, dada pela sociedade, que condena a mulher como prostituta, ou mesmo como biscate, mas que concede aos homens o título de GARANHÃO?
 

domingo, 7 de março de 2010

Felicidade?

( Imagem cedida por Pablo Picasso)


 Outrora, estive passeando por esses jardins de mentira, crendo que se algo faltasse aqui dentro, eu o deveria buscar no mundo, nesse mundo de perdidas ilusões...
Assim se passaram os anos de minha vida, sonhando que amava, descobrindo que errava, amando de fato, descobrindo que me enganavam... e em um ciclo, ah, como amei... doravante, nada de crescente se mostrou em mim... pois as perdas e decepções, me foram, cada dia mais, endurecendo. Os planos de alegria, a esperança de sentimentos, deram lugar à certeza de conhecer uma raça cruel.
Indagando, especulando em minha dor, encontrei a resposta mais perversa do que a ilusão... nada desse mundo me poderia preencher. Nem amores, amigos, devaneios de paixões, dinheiro, fama... nada disso seria algo a me trazer felicidade... e também quando penso em felicidade, tenho vontade de rir, mas não é alegria, e sim desespero.
Se Aristóteles tivesse vivido em nossa geração, provavelmente ele teria desistido de dizer que a felicidade seria uma atividade virtuosa da alma, pois se de fato fosse assim, me digam, quem seria feliz nos dias de hoje?
Me expliquem, quem, de todos nós "hiper-modernos", pode se dizer virtuoso? Antes ainda existissem os continentes... mas não, estamos entre a incontinência e o vicio. Tudo isso, um resultado claro para tanto desenvolvimento... para tanto imediatismo...
A felicidade, ao menos a aristotélica, que ao meu ver, é digna de louvor, está perdida para nossa geração...
De modo que volto à reflexão, seguindo essa sequencia ocasional de pensamentos e aulas de ética, e agora pensando somente em mim, creio que ainda seria uma perda de tempo buscar algo dentro de um objeto, sapientissimo, que os tempos modernos deixaram apodrecer...
Seria mentira de um ou outro, ou de todos os atores da vida, dizer que quando voltados para si, sentem uma paz inundar seu corpo, pois não! Que a paz poderia ser, de fato, existente se desde de pequena, me tivessem ensinado que o mundo nada me daria, muito pelo contrário, me deturparia, me destruiria e faria de mim alguém muito pior. Se tivesse ocorrido assim, jamais, na esperança de me satisfazer dessa busca, deixaria tantos penetrarem em minha mente, em meus sentimentos, não deixaria que levassem nada de mim.
E nesse dilema, estou hoje repartida em dois mundos, um, que já foi quase abandonado pela desesperança e o outro que só conseguirei abandonar no leito de morte.
Olho para fora desse ser, encontro dor, mentiras, hipocrisia, olho para dentro desse ser, percebo as estruturas frouxas dos terremotos, permitidos por mim, que entraram para saciar sua discórdia; vejo o longo caminho que me espera na busca de uma paz constante, mas essa busca será muito mais do que simples exercícios matinais, como sugeriu Aristóteles em Ética a Nicomaco. Ela será uma constante atividade, que talvez, jamais me traga uma virtude, mas que com certeza fará de mim alguém muito melhor.
 Se não entenderam o que me propus a dizer, posso o fazer novamente, de cor e salteado, num resumo breve ou em uma longa declamação.
Os anos de minha vida, trouxeram, prematuramente, a idéia de que esse mundo moderno, habitado por tantos, só me trouxe remorso e dor; as pessoas que passaram por minha vida, nada me deram, nada do que gostaria que fosse preenchido, essas pessoas preencheram, e muito pelo contrário, levaram um pouco mais de mim, me tornaram temerosa, me fizeram romper com qualquer virtude.O que me fez repensar sobre a tal da felicidade.


 Se não a encontro nos outros, ela só pode estar aqui, porém, quando olho para mim, muito tardiamente, infelizmente, percebo que se ela esteve aqui, já a muito teria partido, pois ao invés de me cultivar, deixei que me destruíssem.
Dessa forma, a felicidade aristotélica, digna de louvor perante meus olhos, para mim é já perdida, para nós é já perdida, pois ela se baseia em atividades virtuosas, mas quem de nós, homens “hiper-modernos”, pode se dizer virtuoso? Quem, de nós seres humanos, pode com certeza dizer que não se deixou corromper pelo mundo, que com suas próprias mãos destruiu?

terça-feira, 2 de março de 2010

O desespero e o repouso tomam conta de mim.

Primeiro o desespero.

Depois o repouso.

PS. iniciar uma nova vida 'e simples, o dificil 'e deixar uma vida antiga para traz.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Família

[...]E afinal todos choraram...
Mas no final, família é tudo.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Amor de mãe

Um dia antes de ir embora, estava arrumando as malas, quando minha mãe exclamou:

- Mas já arrumando tudo? Parece que está com presa de ir...

 Então, fiquei sem saber o que fazer.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Sobre o engano

- E então, as pessoas com palavras criam universos?
- Sim.
- Que brilhante! Podemos penetrar no universo dos
outros, podemos neles criar mundos e sensações?
- Sim, espere para ver quando fizerem isso com
você.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Hino solto ao acaso



Guardei a voz
Em um baú profundo
Onde jamais escutariam meu hino
E o entreguei em mãos do acaso
Para que este fizesse partir
Os pedaços esparsos
Daquela antiga canção

Ergui muros altivos
Para proteger
Minha rosa áurea,
Dádiva de amores partidos,
Deusa de sonhos perdidos
Criança de escuridão
Na luz de um dia profano

E lá fui contando os dias
Jogando aos ventos
As flores do tempo
Mortas pela solidão
Até que entre assas de um anjo
De breve relance
Pude um hino escutar

O hino era a voz
Renegada
Pungindo de dor
Todo o amor
Que me pude sonhar
Solto ao acaso

Cansado de voar
Está estrela vésper
Em altos muros veio pousar
E ao ver que ali
Uma rosa parecia existir

Pode enfim confirmar
Que só o seu canto
Os pedaços esparsos
De meu coração
Ele poderia curar         

E que só meu hino
Era digno de sua canção...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Consciência

Folha branca
Dia novo
E uma porção
De coisas antigas
Pungindo
Imputando
Uma dor aguda
Sobre mim.

A natureza não afeta mais o homem "ultra-moderno"



Fizemos uma exposição, no dia 14-02-10, sobre a evolução do homem e a evolução das coisas que esse homem criou, chegando a conclusão de que todo o pensamento utilizado para montarmos essa exposição foi válido. Pois que no dia, houve uma participação quase extinta de pessoas, incluindo a juventude que se sente tão lesada pela falta de cultura, mas que quando vê cultura não consegue processar cultura.
 Ou seja, esse homem, tão acostumado em ter tudo em suas mãos, se tornou incapaz de criar ou mesmo de apoiar a criação. Esse homem que só se interessa em se afirmar estéticamente, tem e merece ter tudo o que vivenciamos hoje.

 As pessoas que se interessarem pelo tema, poderão me enviar um pedido para ter acesso a todo o material do evento.

 Atenciosamente.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Depois de muito tempo ouvindo está música, só com uma elevação astral diferente pude perceber o real sentido da canção. Não basta apenas escutar, é preciso abrir os olhos da imaginação.


ApRoVeItEm.















Vem cá duende maluco, fajuto, pinguço,
Me dá um golinho dessa tua pinga,
Que eu quero de vez no teu mundo entrar.
Toda vez que a gente tromba, tu só me embroma
Me mostra e embaça, mas agora é sério,
Que eu quero de vez pra nunca mais voltar.
Ô minha princesa da terra, Vê se recupera
O juízo e manera dessa tua ânsia
De sair correndo de todo lugar
Sei que teu povo é bizarro e viajam errado
Só vêm teu lado, e se esquecem de todos e tudo
Que de perto estão do seu lar...
Deixa que faz, acontecer e vai bater é ver pra crer
Bem perto estás...
Bem vindo ao mundo onde se pode sonhar...
Cinderelas esquecidas... historinhas de heróis,
Eu poeta sem a musa...
Inaudita a minha voz...
Lindos vales escarlates, borboletas de cristal,
E eu nem lembro mais meu nome, nem o seu...
To viajando nessa onda - Racha Crânio
Chapeludo, de boi brabo, vejo tudo que não vês.
SOMOS OS OVOS DA GALINHA QUE FUGIU!
Cadê o duende que não deixa eu ir embora?
Que doidera, passa a bola, quantas cores podem ter?
SOMOS OS OVOS DA GALINHA QUE FUGIU!
Mas tudo torna e volta a ser...
Chovem músicas e pensamentos,
E o meu tesouro já não é mais meu
Brotam raios, paixões soberbas -
Novas descobertas - Luz Apareceu...
Nunca para e só me destrava
Deixa arrombada - Luz Apareceu
Dá licença, deixa o delírio fluir livremente,
Luz apareceu...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

ExPeRiMeNtAl


Inevitavelmente,


Quando sento,
Ando,
Falo,
Sou transportada,
Arrastada,
Por enleios e devaneios.

Me entrego a um sonho lindo
E na transição
De um verbo tão ansioso
O mal de amar
Me acomete,
Me atrai,

Transporta,
Transpõe,
As barreiras de um tempo
Que tão duramente nos separa.

Mas entenda amor,
Sem tocar
Ou apenas indagar,
Estou mais próxima
Do que todas as pessoas
Tão próximas.

Parto deste pensamento
- Tão antes
sem pensar que o pensaria -
De um dia entrelaçar nossas mãos,
Sendo assim induzida,
Levada tão além de um
Agora sujo e hipócrita.

Como se pensar em seu estar
Me mantivesse um pouco encoraja
A suportar todas as mentiras
Tecidas pela vida,

Que sem tecer nosso caso
Trouxe-nos pelo acaso
Até nos encontrarmos,
Tão dentro
Um do outro.

E tão dentro de você
Descobri só o abandono
Do tempo
Que custa passar,
Que se renega a nos dar
Algo tão prometido.

Pois que assim,
Dentro de mim,
Mantenho todas as razões
Para viver,
Para mentir,
Para enfrentar o mundo
Ilusionista.

Unidos,
Sem a consciência
Do tempo,
Do espaço

E das mentiras
Que mentimos.

Quem será capaz
De fazer
Com que nos esqueçamos?

Entenda amor,
Como as palavras
Levam de mim
Para você
A complexidade
Desse complexo
Encadeado
De pensamentos, que me sondam.

Um universo crescendo
Ganhando vida
Onde deveria ser sepultado.

Mas em mim
A uma fala de você
Tão absurdamente alta
Que quando menos percebo
Cá estou eu:

Absorta,

Envolvida,

Inevitavelmente,

Quando sentando,
Andando,
Falando.

Sempre transportada,
Arrastada,
Por enleios e devaneios,

Para mais loucamente
Amá-lo em meus
Profundos
E sinceros
Pensamentos.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Depois de um Rock'n'roll


 Naquele momento, senti que poderia voar, bastava abrir os braços, bastava crer e então me lançaria em um céu multicolorido e infinitamente misterioso.
 O medo até então havia imperado; a estrada íngreme me incomodava, já não refletia tão bem, o corpo tenso...
 Uma montanha russa, a paisagem guinou, modificou! Uma curva surgiu, louca e excitante! A curva que mudou minha vida, a curva que me curou de medos e desdenhos!
Um leque mágico se desvelou! As estrelas todas sorriam pra mim, somente para mim...
as luzes da cidade ao longe, se apresentavam em mosaicos esplendidos, em cores estranhas mas ao mesmo tempo conhecidas, a estrada se transformou em um grande escorregador , iluminado pela lua, grande, imperando, astralizando, me seqüestrando!

 Abri os braços, para voar! Meu guia acelerou, a pista leve, lisa, me fez crer: “sim eu posso!”.

 Fechei os olhos e me elevei, assim como faria uma criança, que brinca como se fosse seus heróis. Respirei aquela sensação tão real, o mundo dos sonhadores... e descobri que ainda valia a pena arriscar, mesmo que no instante seguinte eu perdesse minha vitalidade, meus batimentos... eu estava lá, pronta para viver ou morrer...

Pronta para viver ou morrer... 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Despertar



 Amar assim, seria a
mais plena das loucuras, mas o que há de se fazer? Não pude escolher, antes de refletir já estava cativa e sem nem saber por quem.
 Que se há de conhecer desse ser, já não tenho tanta certeza... Conhece-se alguém como? Identificando cada perfeição e imperfeição aparente que se revela em uma esplendia face, ou se conhece pelos detalhes inconstantes da alma?
 Já não sei lhes dizer...
 Então fico a prosear com a única coisa que entra de acordo com essa loucura, o amor. Apenas ele consola; nem suas palavras me chegam aos ouvidos, nem suas palavras me juraram nada eterno; só o amor consola e cura, revela e desvenda para me fazer crer que é um ato tão puro amá-lo na escuridão, no anonimato, amá-lo na imaginação e na comprovação de quem realmente é.
 Sinto saudades, mas quem sou eu para desfolhar o coração diante de sua realidade palpável, nada sou... Nada me deve. Nada para mim e para meu amor fraterno, nada por desejar seu bem, por chorar de dor ao ver que estar feliz, tão longe dos meus braços, e lentamente transformar a dor em consolo, já que está feliz.
 Então, resta-me, discretamente,desejar em silencio que a vida lhe ensine que não precisamos jamais conjugar nosso amor, ou sentirmos que nossos corpos são um só, para realmente nos pertencermos, amor.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Uma corda bamba






 Olhei o céu, alguns pingos caiam, mas logo a chuva cederia. Deixei o guarda-chuva, meu pai disse:"Tem certeza de que vai sair?", eu sorri, e acenei. Fui até o ponto, a chuva começou a desabar em fortes torrentes. O ônibus chegou, eu subi, pensando na vida... escolhi um dos bancos do fundo, me aconcheguei, continuei pensando. Tudo comumente em seu devido lugar. Quinze minutos de viagem.Passamos o centro, nenhuma gota de chuva.
 Chegando ao terminal, meu celular começa a tocar, eu rapidamente o procuro. Poderia ser meu pai, prestes a me dar uma bronca, poderia ser um aviso de falecimento, poderia ser algo sério. Não o encontrava.
 O ônibus estacionou, levantei, ainda procurando o celular, quando piso em falso...
 Uma pontada agonizante na costela, que ia se espalhando para as demais partes do corpo, e um grito abafado, meu próprio grito de dor. Quando percebi, estava estirada na última parte da escada do ônibus. Uma senhora veio me ajudar, falava muito comigo, a voz insistia em não querer sair.
 Foi quando pensei: " A vida é uma corda bamba".
 Não sei dizer qual foi o passo em falso, não sei dizer como, nem por que. A única coisa, da qual posso dar mais informações, foi que ao conseguir pegar o celular e recuperar minha voz, retornei a chamada e era meu irmão pretendendo investir palavras duras contra mim, pois esqueci de deixar a pinça de sobrancelha em casa.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Grande sim. Mas não gigante.




Sair, encontrar o trânsito. Os carros tão rápidos, os caminhões, que se tombassem, me esmagaria completamente, os sinaleiros, que de forma alguma nos dá calma para cruzar uma rodovia... rodovia. As grandes construções.
 Tudo cinza, barulhento, esfumaçado, caótico. Então chego em casa, observo o enorme jardim, a paz, e volto a me sentir um pouco maior do que uma mosca.

AsTraLiZaÇãO




A energia foi emanando em ondas,
De pura vibração.
Contagiava-me em forma de elevação,
Tomando docemente todo o corpo.

Misturei as cores,
Reneguei os preconceitos
Apenas quis sentir
Naquele caminho suave,
Esquecido pelas pessoas banais.

Lá foi,
Surgindo, acentuando
Todo amor, toda felicidade,
Todo prazer!

Com as sensações
Beijei, toquei, respirei...

Com a imaginação
Astralizei!

Sai de dentro,
Preza por tantas multidões.
Desliguei os cabos,
Sintonizei no espiritual
E voei!

Pra bem longe...
E quando percebi
O que poderia ser que me ocorreu

Já não importava tanto assim
Desde que tenha notado
Que nunca sai desta trilha louca
Habitada dentro de cada um de nós!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ser somente o arremesso, a pedra que lancei A Barca do Sol




Ser assim, somente fumaça leve, dançando solta para a elevação mística... chegar ao universo misturada com as diferentes decomposições naturais, transformando-me, elevando-me, até ser parte de tudo. UNA!
 Ser interação de galáxias, separadas temporalmente, perder a consciência de espaço, de desintegração, participar fielmente da Vontade que a tudo tem movido.
 Ser a Vontade do Ser!
 Esquecer da Vontade suja e hipócrita que impulsa a individualidade, afirmada através da dor, impultada sem ressentimentos pelos fortes. Ser Vontade UNA, não a Vontade egoística, (tendo em vista que, talvez, a justiça eterna não valesse tanto assim).
 Afirmar, sem vergonhas ou sofismas, que na realidade, seria a Vontade humana impura, comparada a Vontade UNA.
 Ser somente a Vontade do Ser.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O supra sumo da bosta


Um pequeno tratado seria útil para alguns, quando um tema insiste em martelar nossas cabeças. Através de diversos debates - acrescentei alguns tópicos, que julgo importantes para o andamento correto do pensamento - chegamos a uma única conclusão sobre o homem moderno.

 O tema central, dentre todos os assuntos utilizados nesse estudo, empírico, é a questão da falta de subjetividade, somados a decadência do homem, enquanto ser pensante, reflexivo e artístico.

 O objetivo do presente texto é demonstrar de que forma a sociedade caminha, “manipuladamente”, como isso se interliga a morte da arte e a comprovação de que atualmente, só o que importa é o “poder pelo poder”.

 Espero a compreensão de todos os seres, iluminados intelectualmente, ou não, e dos grandes sábios, providos de uma boa retórica, para se sobreporem sobre outros.

 O que deve ficar explicito é que uma idéia nem sempre nasce de um gênio, ou seja, ela provavelmente será, ardorosamente, esculpida. Espero poder me utilizar, sempre de forma positiva, dos futuros comentários e criticas.

Atenciosamente.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Uma Trilha De Fumaça






Coloco todos os sentimentos estranhos em minha bolsa e decido seguir aquela estrada de fumaça, que com meu mais intenso prazer construí; o último trago, minhas vontades saciadas, onde dará a trilha de prazer?

Começo por escalar, a porta é aquele circulo vermelho, azul, violeta que em meus mais loucos frenesis excita uma desvairada vontade de possuí-lo, de admirá-lo. São longas voltas, são traços de sonhos, são as fitas de uma menina brincando por aquele extenso jardim, são olhos que hipnotizam dizendo-me cada vez mais alto “não deixe de existir”.

Após a porta, os passos incertos são firmados pela estrada, a fumaça foi dando espaço ao vidro, seco, frio, sólido. Começo a descer rumo ao universo, observo planetas sorridentes, trajados com ternos e gravatas, sapateando em um blues descontrolado e o que foi aquilo que observei? Espere... creio que seja o eterno big-ben dentro de nós.

Bolhas começam a sair de mim e dentro delas, adeus, estão meus sentimentos estranhos.

A estrada leva-me adiante e ao longe observo algo parecido como um altar. Existem milhares de estradas como aquele pela qual vim, todas terminando sempre mais a frente em um encontro glorioso de perturbações.

Astros, planetas, cartas de baralho, cogumelos e borboletas observam minhas ações, estão girando em torno do altar que irradia a dança da vida. Bules e xícaras de chá levam-me em direção a ele, mais à frente encontro o coelho do “país das maravilhas”, porém ao contrário de sempre não estava atrasado. Sorria para mim e através dele alcancei o altar.

Tudo a minha volta sumiu e os círculos de fogo voltaram a aparecer, contemplando-me.. a fumaça tornou a surgir, tudo começou a desmanchar em leves sopros e fragrâncias. Em cima do altar havia um olho muito atento, que a tudo observava enquanto refletia toda uma vida, que não me era estranha; a vida era sonho e o sonho era o mais real que até aquele momento tinha provado. Não pude resistir e ao tocar naquele olho descubro que eram meus olhos e todo aquele universo era meu próprio corpo... porém, esqueço-me do real. Acordo. Tive um sonho!

Enxugo minha baba enquanto acendo meu próximo cigarro...